Há
momentos em que a pessoa parece apenas olhar para o vazio.
Os olhos permanecem fixos em um ponto qualquer, enquanto os pensamentos
vagueiam sem direção.
Muitas vezes, o excesso de pensamentos é a tentativa psíquica de compreender
aquilo que feriu, marcou ou deixou rastros profundos no inconsciente.
Para quem observa pode parecer distração,
cansaço ou silêncio. Mas, na realidade, algo dentro continua falando.
Na
perspectiva da Sigmund Freud, o pensamento nunca está completamente parado.
Mesmo no silêncio, o inconsciente segue produzindo lembranças, fantasias,
medos, desejos e conflitos que escapam à lógica consciente. O “olhar para o
nada” muitas vezes é o sujeito tentando sustentar, ainda que sem perceber, um
encontro com aquilo que não consegue nomear.
Existem
ausências que ocupam espaço. Existem dores que não fazem barulho.
E existem pensamentos que vagueiam porque procuram um lugar onde possam
finalmente repousar.
Na
solidão de certos instantes, a mente percorre corredores antigos: palavras não
ditas, afetos interrompidos, culpas silenciosas, desejos esquecidos. O corpo
permanece presente, mas a alma parece caminhar por dentro de si mesma.
Talvez
o vazio não seja apenas vazio, talvez seja um espaço interno pedindo escuta.
A
psicanálise nos lembra que nem todo silêncio significa ausência. Às vezes, é
justamente no silêncio que o sujeito mais grita dentro de si.

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