Falamos
o tempo todo.
Contamos
histórias, explicamos o que sentimos, organizamos os fatos como conseguimos e
há algo curioso na fala. Nem sempre sabemos exatamente o que estamos dizendo. Às
vezes, uma palavra escapa. Um detalhe surge. Um deslize acontece.
E ali,
algo aparece.
Sigmund
Freud chamou atenção para esses pequenos erros, lapsos, esquecimentos, trocas
como manifestações de algo que não está totalmente sob nosso controle.
Jacques
Lacan aprofunda essa ideia ao afirmar que o inconsciente se estrutura como uma
linguagem, ou seja, há algo em nós que fala, mesmo quando não temos intenção de
dizer.
Talvez
escutar a si mesmo não seja apenas ouvir o que se quis dizer, mas também aquilo
que surgiu sem aviso.
Porque,
às vezes, é justamente ali, que algo de mais verdadeiro aparece!

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